(só pra começar a pensar no assunto)
Desde que o samba é samba, desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem, a arte está presente nas civilizações. Seja no canto de adoração a divindades (que, a propósito, também estão presentes em todas as civilizações), seja em representações pagãs, ela faz parte do ser humano. E não há quem consiga viver sem ela. Que me contrarie o advogado, de terno e gravata, dizendo que o mundo é sério. Duvido que não escute uma música no seu mp3 player. E me contrarie o mendigo, dizendo que a vida é dura. Duvido que não pare na Praça Sete pra ver o violeiro cantar as saudades. É do homem.
Mas qual é, afinal, a função da arte? Por que algumas pessoas, sem perspectiva financeira, sem apoio da família, sem garantias de estabilidade, largam tudo para viver de arte?
Questão fundamental para quem deseja ser profissional da área, mas que não me atrevo a responder em um post. Talvez nem em uma vida inteira.
Sei que a arte humaniza, sensibiliza, nos leva de volta a uma dimensão humana - que temos perdido cada vez mais neste mundo de terno, gravata e mendigos. Uma dimensão transcendental, ouso acrescentar. Religare. A arte-religião. A arte-função, sem lugar, sem valor capital. A arte que entende o vazio, que o mostra, potencializado. A arte da catarse. A arte que o artista faz pra viver tudo de uma vez, intensamente. Que terno e gravata é pouco pro humano. Que mendigos são a nossa fraqueza, e precisamos ver pra lembrar.
Mas, acho que, no fim das contas, a arte que vale a pena é aquela que não pretende nada, senão ser arte. E isso já basta.
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5 comentários:
Ao longo do post fui pensando em uma resposta (ou ao menos em uma tentativa de resposta) que acabei encontrando nas duas últimas linhas...Acho que é bem isso "no fim das contas, a arte que vale a pena é aquela que não pretende nada, senão ser arte. E isso já basta."
Às vezes temos a necessidade de dar nome e sentido pras coisas...Caso contrário, parece que deixamos elas soltas e abandonadas e desse jeito não servem pra nada...Mas tem coisas que eu acredito que não precisamos nomear ou entender para valorizarmos, basta sentir e aproveitar..Quando elas servem para provocar reflexão e somos capazes de interpretar isso,ótimo!Mas às vezes basta se identificar para valer à pena...
cuidado com as ingenuidades (que aqui estão abundantes).
Platão, Platão, Platão!!! De acordo com "A Republica", se a arte não for perfeita em si mesma, e para o bem que visa o outro que não a si mesma ela cai no problema da infinitude!!!
Estou começando a ver coisas (isso é um comentário pessoal pra minha pessoa...)
Garota, to gostando do que ce escreve, virei mais vezes...
Só duas palavras... não, Três... "Você tem o dom"! Ops! Foram QUATRO!
O mundo carece de pessoas com a sua sensibilidade e VIVA AS LETRAS!!!
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