quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Iracema

“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.”

A qual brasileiro não é familiar essa frase do romance? Ao menos a personagem-título é conhecida por qualquer cristão (ou não) que tenha passado pelo ensino fundamental neste país. Ora, professores de literatura insistem (e com certa razão, vá lá) em indicar José de Alencar para suas crianças.

Fato é que eu, hoje estudante de Letras, nunca havia lido nenhum romance do grande autor romântico (!). Já tinha folheado o Ubirajara, por obrigações escolares, mas nenhuma leitura completa, que dirá atenciosa. Pois eis que, no 4º período da faculdade, indicam-me o livro – Iracema, lenda do Ceará. Qual jeito? Tomei-o a ler.

Tenho certo medo das minhas palavras aqui, mas vamos lá – brincar um pouco com esse fardo romântico na história literária, que deverei ensinar e indicar para meus futuros alunos.

Pois na serra que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema, a virgem dos lábios de mel. Culpa não tinha de ser a virgem escolhida por Tupã (divindade), mas pela sua cultura deveria manter sua condição para o deus. Até que chega à tribo o único branco que faz parte do romance, o tal Martim. Obviamente, os dois se apaixonam. Obviamente, ela mais do que ele. Pobre coitada, inocente, entrega-se ao guerreiro. E o que é pior: sem o consentimento dele. Mistura lá suas ervas da Amazônia, digo, do Ceará, e deixa Martim doidão. Fazer o quê? Tá na chuva, é pra se molhar... né?!

Fogem os dois, pois Iracema violou lei grave na sua tribo: terá de morrer. E Martim mais grave ainda, pois pegou a virgem de seus hospedeiros.

No caminho, encontram Poti, amigo (affair, sem dúvidas) de Martim, da tribo inimiga da tribo de Iracema. Surpreende-lhe o affair? Pois me diga que tipo de amigo foge junto com um casal em lua de mel? “Irmão”... pfff! O livro mostra é um belo triângulo amoroso. E nos moldes contemporâneos.

Não importa. Ficam os três vivendo juntos. Iracema engravida. Martim começa a sentir falta da pátria (deixara uma noiva em Portugal, o canalha) e a cansar-se de Iracema. Pobrezinha, a dos lábios de mel! Abandonou a família, brigou com pai e irmão, fugiu da tribo, para viver junto de um branco safado! E tem mais! Martim vai para a guerra com Poti, que o aconselha a não avisar nada a Iracema, apenas deixar um sinal de uma flecha. Pobre Iracema... deu sozinha à luz Moacyr, o filho da dor. Deu dois suspiros e depois morreu. Tá, os suspiros são por minha conta. Fato é que morreu. E Martim e Poti voltaram. Martim vai para sua terra e retorna ao Brasil quatro anos depois. E o livro termina com uma frase digna de livro auto-ajuda: “Tudo passa sobre a terra”.

Não me vem outra forma de descrever o romance senão algo meio “Pocahontas”. O vocabulário, as descrições, a temática. Esse romancezinho romântico, escorrendo mel (ãhn, ãhn). Dizem ser alegoria para a formação do Brasil. E Iracema é anagrama de América. Mas isso eu deixo pras aulas de literatura. Basta-me hoje essa descrição livre do enredo. Leiam; é um clássico.

3 comentários:

Ana Silvia disse...

Lembro-me que li Ubirajara (sim, na mesama época que vc...), mas nao sei se lembro totalmente da históra. lembro qu e devorei o livro, de ter que ler rápido mesmo... era o corre-corre!

Mas voltando ao texto. I loved it! um barato! Comentários inusitados! pois muito que bem!

"Agora multiprica e aprica o Laprace!"

Cind Canuto disse...

Aha, li Iracema aos doze anos. Na época me foi útil, porque eu não tinha lido nenhuma vez a palavra mancebo e outras afins, é claro que o livro me abriuos horizontes.
Acho que aos doze anos foi bom ler, mas hoje os preconceitos implícitos, ou nem tão implícitos assim, me fariam ficar nervosa, com sono, não acha?
Eu diria, se você tiver menos que quartorze anos, leia, é um clássico.

Anônimo disse...

Eu lembro que vc tava lendo Iracema mesmo!


Adorei os comentários sobre o livro e o texto todo. Tb quero ler o livro para dar o meu parecer! hehe

um beijo